Equipamentos e tecnologias

Qual o melhor
micro inversor?
Três tecnologias
no mesmo telhado

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Microinversores não são todos iguais. Um aparelho por placa tem uma vantagem clara: se ele falhar, apenas aquela placa para de gerar. Nos modelos que recebem quatro placas, a falha de um aparelho pode interromper a geração das quatro.

Mas a quantidade de placas por aparelho explica apenas parte da diferença. Três tecnologias são comuns no mercado: um aparelho por placa, um para quatro placas com controle individual e um para quatro placas com controle compartilhado em pares. Esse controle determina como as placas podem ser distribuídas pelo telhado e como a sombra em uma delas afeta a geração.

Para entender o que muda, vamos aplicar as três tecnologias ao mesmo telhado. O exemplo mostra as diferenças na distribuição das placas, na sombra e na falha de um aparelho. Depois, comparamos o que os fabricantes publicam sobre falhas, calor e garantia.

Vista aérea de uma casa com telhado de várias águas e módulos solares instalados em três delas, cercada por jardim e árvores.

Qual o melhor microinversor: um por placa ou um para quatro?

O microinversor fica no telhado, junto das placas, e transforma a corrente contínua que elas geram na corrente alternada usada no imóvel.

Além de converter a energia, ele ajusta a tensão de operação das placas para aproveitar a maior potência disponível conforme o sol, a temperatura e a sombra naquele momento. Esse ajuste é feito pelo MPPT, sigla em inglês para rastreamento do ponto de máxima potência.

Para entender as três tecnologias, precisamos distinguir duas coisas: quantas placas se conectam a cada aparelho e quantos MPPT ele tem.

  • Um aparelho por placa: cada placa tem seu microinversor e seu MPPT.
  • Um aparelho para quatro placas, com quatro MPPT: cada placa tem um MPPT independente, embora as quatro usem o mesmo microinversor.
  • Um aparelho para quatro placas, com dois MPPT: cada MPPT é compartilhado por duas placas, formando dois pares.

No exemplo a seguir, cada tecnologia é representada pela ficha técnica de um modelo: Enphase IQ8P, Solax X1-Micro 4 em 1 G2 e Hoymiles HMS-2250DW-4T.

O mesmo telhado com as três tecnologias

Imagine instalar 12 placas num telhado com três águas, ou seja, três faces inclinadas. A face norte comporta sete placas; a leste, quatro; e a oeste, duas. Neste exemplo, a norte é a que recebe mais sol.

Para comparar a geração, vamos usar um índice por placa: 100 na face norte, 85 na leste e 80 na oeste. Esses valores são fictícios e servem apenas para ilustrar como a distribuição das mesmas 12 placas muda o resultado.

A distribuição depende de uma regra de projeto: placas com orientação ou inclinação diferentes não podem compartilhar o mesmo MPPT.

Com um aparelho por placa, cada placa tem seu MPPT. Os 12 microinversores Enphase permitem distribuir sete placas na face norte, três na leste e duas na oeste, aproveitando todo o espaço da face que mais gera.

Com quatro MPPT independentes por aparelho, a distribuição é a mesma. Como cada entrada tem seu MPPT, um microinversor pode receber placas de águas diferentes. Com o Solax, ficam sete placas na norte, três na leste e duas na oeste, ligadas a três aparelhos.

Com dois MPPT compartilhados por aparelho, cada par precisa reunir placas da mesma água, com a mesma orientação e inclinação. Na face norte, sete placas formariam três pares e deixariam uma sem par. No projeto com o Hoymiles, essa sétima placa vai para a leste. A distribuição passa a ser seis na norte, quatro na leste e duas na oeste, também com três aparelhos.

Essa mudança reduz a geração no exemplo antes mesmo de considerar a sombra: uma placa sai da face com índice 100 e vai para a de índice 85. Por isso, a soma dos índices chega a 1.115 no Enphase e no Solax e a 1.100 no Hoymiles, embora os três sistemas tenham 12 placas.

Diagrama com números fictícios: o mesmo telhado visto de cima, nas três tecnologias, cada uma em duas situações. No telhado, a água norte, com índice de geração 100 por placa, fica em cima; a oeste, com 80, e a leste, com 85, ficam embaixo. As tecnologias são: um aparelho por placa (Enphase IQ8P), quatro placas com quatro controles (Solax X1-Micro 4 em 1 G2) e quatro placas com controle em pares (Hoymiles HMS-2250DW-4T). No Enphase e no Solax, há sete placas na norte, três na leste e duas na oeste; no Solax, dois dos três aparelhos reúnem placas de águas diferentes. No Hoymiles, cada par fica dentro de uma mesma água, e uma placa sai da norte para a leste: a norte passa de sete para seis placas e a leste de três para quatro. Na situação de sombra, um obstáculo faz sombra sobre a primeira placa da norte: no Enphase e no Solax, só essa placa cai para 50% e o telhado perde 50 de 1.115; no Hoymiles, ela e a vizinha de par caem para 50% e o telhado perde 100 de 1.100. Na situação de falha de um aparelho, no Enphase para 1 de 12 placas; no Solax e no Hoymiles param 4 de 12.
O mesmo telhado com as três tecnologias, cada uma em duas situações: sombra numa placa da água norte e falha de um aparelho.

Sombra numa placa: quanto cada tecnologia perde

Agora imagine que uma caixa d'água faz sombra, à tarde, sobre uma das placas da face norte, e essa placa passa a render metade do normal. Mais uma vez, os números são fictícios.

No Enphase, a placa sombreada tem um MPPT só para ela, e só ela cai: o telhado perde 50 dos seus 1.115. No Solax, acontece o mesmo, porque cada entrada tem o seu MPPT, e a perda também é de 50.

No Hoymiles, a placa sombreada compartilha o MPPT com a vizinha de par. O MPPT trabalha num ponto único para as duas, e a placa que está ao sol acompanha a que está na sombra. No exemplo, as duas ficam com metade do normal, e o telhado perde 100 dos seus 1.100.

Microinversor de 4 entradas: o que para quando um aparelho falha

No telhado com 12 placas, imagine que um microinversor pare de funcionar. Com o Enphase, apenas a placa ligada a ele deixa de gerar; as outras 11 continuam funcionando. Com o Solax ou o Hoymiles, as quatro placas ligadas ao aparelho ficam sem gerar até a substituição do microinversor inteiro.

Isso não significa que a casa fica sem luz. Num sistema conectado à rede, a distribuidora continua abastecendo o imóvel enquanto a rede estiver disponível. A falha reduz a geração solar durante a espera pela troca.

O sistema individual tem mais aparelhos no telhado: são 12, contra três nas outras duas configurações. Isso pode levantar uma dúvida: ter mais aparelhos significa ter mais defeitos?

A quantidade de aparelhos, sozinha, não responde a essa pergunta. Quantas placas param numa falha e com que frequência os aparelhos falham são questões diferentes. A primeira aparece no exemplo; para avaliar a segunda, vamos ao que cada fabricante publica.

O que cada fabricante publica sobre falhas e calor

Taxas de falha

A Enphase informa (abre em nova aba) uma taxa de falha de 0,05% para os microinversores IQ8. A Hoymiles informa (abre em nova aba) uma taxa de falha de 0,18%, em média, para os seus microinversores. Da Solax, não localizamos dado publicado.

Como o calor afeta a geração

Um microinversor pode continuar funcionando e gerar menos por causa do calor. Acima de certa temperatura, ele reduz a potência para se proteger, diminuindo a produção de energia durante esse período, como explica a Hoymiles.

Nos aparelhos de quatro entradas, a conversão da energia de quatro placas acontece numa só caixa. A Hoymiles informa que seus modelos de quatro entradas, em geral, trabalham um pouco mais aquecidos que os individuais. A fabricante também diz não ver motivo para esperar deles uma vida útil significativamente menor.

Para entender quando a potência começa a cair, é preciso observar o que cada ficha técnica apresenta:

  • Enphase IQ8P: traz uma curva que mostra a potência nominal mantida até cerca de 95 °C na temperatura do próprio microinversor.
  • Hoymiles HMS-2250DW-4T: declara a potência nominal a 40 °C de temperatura ambiente, mas não apresenta uma curva de potência por temperatura.
  • Solax X1-Micro 4 em 1 G2: também não apresenta essa curva.

Os 95 °C e os 40 °C medem coisas diferentes: o primeiro valor é a temperatura do aparelho; o segundo, a do ar ao redor. Nas três fichas, a faixa de temperatura ambiente de operação é igual, de −40 a 65 °C.

Com esses dados, não é possível concluir qual dos três perde mais geração com o calor.

Garantia: por quanto tempo o fabricante responde pela troca

A garantia define por quanto tempo o fabricante cobre um defeito, conforme as condições do termo. Ela não indica quanto tempo o aparelho vai durar, nem significa que ele ficará todo esse período sem falhar.

Nos três modelos comparados, os prazos e as condições são diferentes:

  • Enphase IQ8P: 25 anos no Brasil, desde que o microinversor permaneça conectado à internet por um IQ Gateway. Sem essa conexão, vale apenas a garantia legal.
  • Solax X1-Micro 4 em 1 G2: 10 anos, ou 15 anos se o aparelho permanecer conectado ao Solax Cloud e enviando os dados de geração.
  • Hoymiles HMS-2250DW-4T: 12 anos, conforme os termos da fabricante para o Brasil.

Se um aparelho falhar depois do fim da cobertura, a compra do substituto fica por conta do proprietário. Até a troca, uma placa deixa de gerar no sistema individual; nos modelos de quatro entradas do exemplo, ficam paradas as quatro placas ligadas ao aparelho.

Qual microinversor se sai melhor no mesmo telhado?

Lado a lado, o exemplo e as fichas ficam assim:

Um por placa (Enphase IQ8P)Quatro controles (Solax X1-Micro 4 em 1 G2)Controle em pares (Hoymiles HMS-2250DW-4T)
Placas por aparelho 144
Controle (MPPT) 1, da própria placa4, um por placa2, cada um com duas placas
Placas de águas diferentes no mesmo aparelho não se aplicasim, cada uma no seu controlesó em pares diferentes
Placas por água no exemplo (norte, leste, oeste) 7, 3 e 27, 3 e 26, 4 e 2
Geração do telhado no exemplo (fictícia) 1.1151.1151.100
Sombra numa placa no exemplo (fictícia) perde 50perde 50perde 100
Falha de um aparelho no exemplo para 1 de 12 placasparam 4 de 12param 4 de 12
Taxa de falha informada pelo fabricante 0,05% (IQ8)não localizada0,18% em média (microinversores da marca)
Temperatura ambiente de operação −40 a 65 °C−40 a 65 °C−40 a 65 °C
Potência e calor na ficha potência nominal até cerca de 95 °C na temperatura do microinversor (curva publicada)sem curvapotência nominal declarada a 40 °C de temperatura ambiente; sem curva
Garantia do fabricante 25 anos, com o microinversor conectado à internet por um IQ Gateway10 anos, ou 15 com o aparelho conectado ao Solax Cloud12 anos

Na linha "Potência e calor na ficha", as temperaturas medem coisas diferentes: a do Enphase é a do próprio aparelho; a do Hoymiles, a do ambiente. Esses dados não permitem concluir qual dos três perde mais geração com o calor.

No telhado do exemplo, o Enphase IQ8P reúne as vantagens dos MPPT independentes e limita a uma placa o efeito da falha de um aparelho. Na distribuição das placas e na sombra, ele empata com o Solax: os dois mantêm sete placas na face norte e restringem a redução de geração à placa sombreada. Se um microinversor falhar, porém, para uma placa no Enphase e quatro no Solax.

O IQ8P também tem a garantia mais longa entre os modelos comparados, condicionada à conexão à internet por um IQ Gateway. Entre as taxas de falha publicadas, a informada pela Enphase para a linha IQ8 é a menor.

Entre os modelos de quatro entradas, o Solax oferece mais liberdade para distribuir as placas, porque cada uma tem seu MPPT. No Hoymiles, as placas precisam formar pares na mesma água. No exemplo, isso deslocou uma placa da face norte para a leste e reduziu a geração antes mesmo da sombra. Quando a sombra chegou, a redução atingiu as duas placas do par. Nos dois modelos, a falha de um aparelho interrompe a geração das quatro placas ligadas a ele.

Num telhado de uma única face, sem sombra e com número par de placas, as restrições de distribuição e o compartilhamento do MPPT deixam de pesar. Nesse cenário, ganham importância o número de placas afetadas por uma falha, os dados de falha publicados e as condições de garantia.

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Fontes citadas

Perguntas frequentes

Para quatro placas, é melhor usar quatro microinversores individuais ou um de quatro entradas?

Entre os modelos comparados, os individuais têm uma vantagem quando um aparelho falha: apenas uma placa deixa de gerar. Com um aparelho de quatro entradas, a falha pode parar as quatro. Para a distribuição das placas e o efeito da sombra, importa também quantos MPPT o aparelho tem: um modelo de quatro entradas pode oferecer um MPPT independente por placa ou compartilhar cada MPPT entre duas placas.

Todo microinversor de quatro entradas tem um MPPT por placa?

Não. O Solax X1-Micro 4 em 1 G2 tem quatro MPPT independentes, um por entrada. Já o Hoymiles HMS-2250DW-4T tem dois MPPT, cada um compartilhado por duas entradas. Por isso, o número de entradas, sozinho, não revela se cada placa tem um MPPT próprio.

Posso ligar placas de lados diferentes do telhado no mesmo microinversor?

Nos modelos comparados, isso depende de como as entradas se dividem entre os MPPT. No Solax, cada placa tem seu MPPT, permitindo reunir placas de faces diferentes no mesmo aparelho. No Hoymiles, as duas placas que compartilham um MPPT precisam ter a mesma orientação e inclinação. Pares ligados a MPPT diferentes podem ficar em faces diferentes.

Se um microinversor queimar, a casa fica sem energia?

A falha do microinversor, por si só, não interrompe o abastecimento da casa. Num sistema conectado à rede, o imóvel continua recebendo energia da distribuidora enquanto ela estiver disponível. O que para é a geração das placas ligadas ao aparelho com defeito: uma no modelo individual ou as quatro nos modelos de quatro entradas do exemplo.

Garantia de 25 anos significa que o microinversor vai durar 25 anos?

Não. A garantia define a cobertura para defeitos nas condições previstas pelo fabricante; ela não determina a duração do aparelho nem promete um período sem falhas.

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